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 Alcoolismo e dísturbios de personalidade

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Data de inscrição : 19/07/2017

MensagemAssunto: Alcoolismo e dísturbios de personalidade Qui Jul 27, 2017 1:10 am

Boa tarde,

Infelizmente, tive que descobrir a existência deste Forum.
Só consegui ler algumas mensagens, dado que não tenho privacidade em casa e no trabalho também pouca.
Estou aqui a escrever, pois como tantos outros estou numa encruzilhada em que não sei o que fazer.
Namorei vários anos com a minha esposa (cerca de 10 anos). Mas, devido já à pressão, controlo, dirigismo e constantes dramas (desnecessários), tive que terminar a relação com a mesma. Tive que ser um bocado “bruto” ou antes brusco dado que ela rejeitava determinantemente o meu pedido e os meus argumentos, de tal forma que me fingi apaixonado por outra pessoa para ela não me pressionar, mas foi uma burrice, dado que ainda hoje ela pensa que foi esse o motivo e não o seu comportamento que me fez afastar.

Eu não arranjei mais nenhuma relação durante vários anos e fiquei até deprimido e cheio de culpas e remorsos. Mudei... A pessoa que todos queriam como amigo e um bocadinho popular, apesar de um pouco reservado, deu lugar a uma pessoa insegura e com um pouco falta de auto estima. Apesar disso acabei a Universidade e fui trabalhar para uma grande empresa (sem grande sucesso nas relações com as mulheres, diga-se devido ao instinto de auto-defesa). Não me conseguia dar a ninguém, nem tão pouco me arriscava muito.

Um dia, a ex-namorada apareceu de novo e foi culpa minha. Acho que devia estar com alguma nostalgia e decerto um valente ataque de amnésia provocado pelos anos que não a via.
Resumindo, aquilo que era só para ser uma amizade colorida...
Ela começou a dizer que tinha mudado, que era uma pessoa mais calma, ponderada e outras maravilhas de si própria. Quando dei por mim ela tinha já pressionado para nos juntar-mos e seguirmos em frente. Eu inicialmente estava com reservas e resisti, ela estava a acabar o casamento e tinha já uma filha pequena. Como sou uma pessoa que não pode ver mulheres a chorar e até estava com saudades de estar no ninho do amor, acabei por ceder. Inicialmente convencido que ía dar certo e até deu 100% certo durante dois ou três meses.

Após uma discussão ao telefone com o ex-marido, desata a dar murros nos quadros da parede e partiu mesmo um em vidro acabando por se cortar um pouco, isto acompanhado de um belo ataque de gritaria e histerismo. E... Começou o meu inferno!!! Eu percebi log que afinal estava cheio de vontade de fugir dalí para fora, mas que já não havia hipótese dado que convenci os meus pais, o que não foi fácil e até nos ajudaram (ao contrário dos pais dela). Como não sou pessoa de desistir facilmente, lá acalmei a situação e decidi andar em frente.
Resumindo, criámos a filha que atingiu agora a maioridade, temos um puto com 10 anos e uma vida financeiramente desafogada.

Ao longo dos tempos, o que se passava era que estava tudo bem, mas de repente, especialmente à noite ela ficava colérica, agressiva e malcriada.
O mote principal eram as chefias e os colegas de trabalho e depois quem pagava era eu. Ficava com o discurso atabalhoado, gritava, pontapés nas portas, bater as portas, chamava nomes e repetia a mesma conversa ciclicamente até eu estar exausto de madrugada. Muitas vezes descarregava nos desgraçados dos operadores de call center da PT se o telefone avariava, nos dos alarmes, etc. Fazia pressão psicológica com a filha a dizer que não merecia que o pai dela tivesse feito isto, aquilo e que ela era como o pai. Eu sempre tentei fazê-la perceber que não se devia fazer aquilo às crianças, mas ela não ouvia nada, nem ninguém ficava tresloucada de raiva.

Com o tempo fui perdendo a qualidade de vida em termos de ter sobriedade e estabilidade psicológica, uma pessoa assim é sempre uma surpresa, mas no mau sentido.
Há cerca de três anos atrás teve uma situação laboral altamente stressante e acabou por andar meses a massacrar-me, repetições, agressividade, telefonemas repetitivos para os colegas e família, enfim... Eu fiquei tão cansado que já não tinha vontade de voltar para casa ao fim do dia de trabalho e o fim de semana, era um suplício. Acabou por me trair com um amigo (foi o meu prémio por ter paciência de santo). Eu achei que já era tempo de parar. Pedi-lhe que saísse, mas ela não quis sair, implorou o perdão e lá tentámos salvar o casamento. Porque olhei para o meu filho e achei que não o devia privar de uma vida familiar como ele gostava.
Não estou a contar tudo, há pormenores, bem mais escabrosos no meio disto.

Uma constante na vida da minha mulher desde solteira são os copinhos de tinto ao jantar. A minha família embirrava que nas festas, notava-se perfeitamente a embriaguez no final das mesmas.
Eu tentei sempre acalmar a minha família e até comecei a acreditar que era esporádico. Agora, noutra situação se stress laboral, descobri no sótão, junto a uma cama onde dorme ao fim de semana, dado que o nosso filho dorme com a avó durante a semana e ao fim de semana connosco, neste caso comigo pois ainda não dorme sozinho (mais um problema a resolver), descobri há cerca de um mês um saco com 9 garrafas de vinho do Porto vazias. Fiquei em alerta, pensei no assunto, mas não a confrontei, dado que muitas vezes nos maltratava à noite e depois quando se falava disso ela dizia descaradamente na minha cara que eu estava a mentir. Resultado, fui controlando e verifico que as idas ao sótão passar a ferro e as dormidas de sexta e sábado são bem regadas. Descobri e fotografei mais cerca de 16 garrafas de Porto neste espaço de tempo.

Agora que “expulsou” a filha de casa, dado que a miúda lhe fez algumas afrontas, eu pedi o divorcio. Disse-lhe que se as outras pessoas o podiam fazer a bem e ficar amigas, nós também erramos capazes. Ela recusa determinantemente e nega ser alcoólica. Pediu repetiu e insistiu até à exaustão que deveríamos tentar de novo e eu após mais esta tortura psicológica e privação de sono, disse que o.k., mas somente se o álcool for 100% banido de casa. Ela disse que eu estava a prensá-la e que só bebe uma pinguinha ao jantar e que não consegue beber bebidas doces, água etc. Eu, dado que temos uma festa familiar importante esta semana, disse que sim que ía ponderar.

Ela está num estado lastimoso, parte-me o coração, mas já não quero mais isto para mim e para o meu filho principalmente.
Está completamente e notoriamente afetada e não sei se agora tem um pouco de depressão que agrava ainda mais o alcoolismo.

É uma mulher bonita, atraente e super bem falante. Toda a gente lhe diz o que quer ouvir. Se ela vai ao médico pedir baixas, dizem que sim, nem que seja com a unha encravada. Se vai ao psiquiatra dizer que está cansada e stressada com o trabalho, fazem-lhe os relatórios que ela quer. Durante a maior parte do dia é credível, mas a partir de uma certa hora é intratável. Mesmo embriagada, às vezes é convincente, diz que está bem e que só tem stress por causa da filha e do emprego que entretanto recebeu indemnização e rescindiu. Tantas faltas e baixas tudo sempre muito bem justificado que era o final esperado.

Não me vou alongar mais.

Problema número um: O meu filho.
Se nos divorciarmos, não sei se será a bem ou a mal.
Seja como for como posso deixar o meu filho entregue a estes cuidados? Ela não conduz porque é conflituosa até na estrada e conduz muito mal e eu vou andar com o coração nas mãos.
O meu filho será vítima de abandono “silencioso” em que ela irá estar sempre a arrumar a cozinha o dia todo, com o PC aberto e os telefonemas para toda a gente e o miúdo vai ficar só agarrado aos jogos de PC.
O mau ambiente dos telefonemas aos gritos a insultar-me e a insultar a minha família e a contar às amigas o que se passou vai ser infernal. Na cabeça de uma criança não sei como vai ser.
Felizmente que consegue ser super poupada, organiza a casa razoavelmente e gosta de cozinhar, quanto a isso não tenho tido problemas, mas... E se agora com o stress do divórcio ela piora ainda mais?
Na minha opinião o miúdo deveria continuar como até aqui, na minha mãe que o criou desde bébé, na sua estabilidade e mimo. Não sou egoísta e se ela estivesse bem, não me metia impressão a guarda partilhada.

Não sei o que fazer, é um caso de alcoolismo e talvez já algum distúrbio de personalidade mas tão bem subtil e camuflado que não sei como as pessoas vão acreditar em mim. Felizmente que a minha enteada que já é maior, assiste a alguma parte disto. Agora em rutura total com a mãe, lá vou dando algum apoio financeiro e telefono, mas ás escondidas. A filha diz que ela devia ser internada, mas se ela não reconhece nada... Não quer nem aceita.

Já pensei em pedir uma avaliação psicologia, mas como funciona???
Não sei se preciso de ajuda de foro psiquiátrico ou advogado...

Desculpem o testamento.

Se alguém tem algum caso parecido ou me poder dar uma ajuda, fico de todo agradecido.

Uma coisa é certa, eu já não quero mais tentar nada, cuidar, etc. preciso de tentar recuperar a minha paz de espírito, estabilidade emocional e tentar ainda ser feliz, mesmo que seja sozinho.

Obrigado.
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MensagemAssunto: Re: Alcoolismo e dísturbios de personalidade Dom Ago 06, 2017 12:01 pm

Olá Starboard,

O Fórum tem andado meio parado e a culpa agora é das férias. Twisted Evil Deve-se certamente a isso a demora na resposta... Suspect

Entende-se pelo seu discurso que preferiria que as coisas se resolvessem na base do diálogo, através de um acordo favorável a ambos e especialmente ao vosso filho. Calculo que, apesar das dificuldades emocionais por si referidas, a sua ainda mulher também quererá o melhor para o menino. Posto isto, estão reunidas as condições básicas para tentarem uma separação amigável. O recurso à Mediação Familiar pode ser o caminho, uma vez que o Mediador Familiar é um técnico especializado que conduz o diálogo entre as partes, ajudando-as na obtenção de acordos favoráveis a ambos e principalmente aos filhos. A Mediação Familiar é uma alternativa ao recurso a tribunal e um serviço reconhecido oficialmente (Lei n.º 29/2013 de 19 de abril), apesar de pouco divulgado. As vantagens são muitas mas as mais importantes são talvez a possibilidade de ambos decidirem a forma de resolução do conflito ao invés desta ser imposta por um juiz e a diminuição do tempo de resolução do processo comparativamente com o tribunal.


Poderá ser importante contactar um advogado para se informar sobre questões legais que prevaleçam ou se pretender avançar com um processo litigioso, caso a sua mulher não concorde em participar na Mediação.

Quanto ao pedido de uma avaliação psicológica, se se refere a uma avaliação psicológica a ser feita à sua mulher, só com o acordo da mesma ou a mando do tribunal. De outra forma, não me parece possível.

Pode pesquisar mais informações e solicitar uma consulta de mediação ou jurídica no site do fórum em [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

Boa sorte!Smile
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